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Golfinho: um animal quase humano,

ou sobre-humano?

A humanidade precisa ampliar o seu olhar por sobre as demais espécies animais do planeta, deixando de enfatizar apenas os cuidados com os “pets”, aqueles animais domésticos que convivem e nutrem a carência afetiva do homem (que invariavelmente os trata e projeta neles as suas necessidades e neuroses humanas). Todos os seres da natureza possuem um importante papel neste enorme ecossistema terrestre, ainda tão desconsiderado e maltratado pelo homem, que ainda não percebeu as graves consequências de sua postura.

 

Para ilustrar este importante tema, falaremos um pouco sobre os golfinhos, magnífica espécie animal que está muito além das acrobacias visualizadas nos parques aquáticos ou dramatizadas em histórias fantásticas pelo cinema.

 

Também chamados de “delfins”, os golfinhos são mamíferos (cetáceos) perfeitamente adaptados para viver no ambiente aquático, podendo mergulhar a grandes profundidades, se alimentando de peixes e de lulas. A designação “golfinho” é aplicada às espécies com um focinho alongado e em forma de bico, com um corpo elegante. Os golfinhos vivem em todos os Oceanos, à exceção das águas frias dos Polos. Habitam também os mares e os golfos do México e da Califórnia. Apesar de seu habitat natural ser o mar, cerca de 12 espécies de golfinhos vivem em rios. Entre essas, existe o golfinho do Ganges (rio da Índia), que é completamente cega, devido a água desse rio ser extremamente poluída e lamacenta.

 

Existem 37 espécies conhecidas de golfinhos, dentre os de água salgada e água doce. Podem viver de 25 a 40 anos e as fêmeas dão à luz a um filhote de cada vez (gravidez de 12 meses). Vivem em grupos, são animais sociáveis, tanto entre eles, como com outros animais , inclusive humanos.

 

O cérebro destes animais supera o cérebro humano em muitos aspectos. A complexidade de seu córtex cerebral é enorme. O número de neurônios é 50% maior que o do homem. O cérebro humano adulto pesa cerca de 1450 gramas e o do golfinho cerca de 1700 gramas.

Os golfinhos apresentam um grande desenvolvimento psíquico, e sua inteligência é comparável ou maior à dos primatas. Os golfinhos apresentam um grau de inteligência similar à de seres humanos, mas ainda existem diversos estudos em andamento para comprovar e quantificar esses níveis de inteligência. O cérebro grande e evoluído dos golfinhos pode ser consequência das necessidades de comunicação em baixo da água e para usarem o sonar com precisão.

A espécie não dorme como nós. São capazes de “desligar” parte de seu cérebro por minutos em um período do dia e muito raramente o “desligam” completamente. Isto se faz necessário porque os golfinhos necessitam emergir para respirar ar pelo menos uma vez a cada 8 minutos.

 

Os golfinhos possuem uma linguagem peculiar, que se expressa por meio de assobios, sendo 10 vezes mais rápida e mais alta em frequência do que a fala humana. Outra particularidade em sua comunicação é o sonar, que lhes permite determinar as reações internas de outros golfinhos, bem como de humanos e peixes. O tipo de som que eles emitem não tem uma denominação específica, mas não há dúvida de que em seu modo específico, os golfinhos “falam” abundantemente.

Mesmo sendo inteligentes e sociáveis, ainda assim estes incríveis mamíferos continuam sendo perseguidos e mortos. O Japão caça golfinhos para alimentação, no Brasil (no Amapá e Pará) ainda em alto mar os golfinhos mortos são vendidos e transferidos para outros barcos. A carne vai servir de isca para a pesca de tubarões – tubarões também estão correndo risco de extinção: são alvos do “finning” por suas barbatanas, utilizadas na culinária chinesa (seguida por vários países) para sopas, e seu fígado, rico em óleo. O “finning” é uma prática de pesca cruel, insensível e covarde, na qual o tubarão é capturado, suas barbatanas e nadadeiras cortadas e o animal jogado de volta ao mar, muitas vezes vivo, mas mortalmente mutilado, o tubarão afunda para morrer sangrando, comido por outros peixes ou para apodrecer no fundo do mar.

Partes de golfinhos podem ser encontradas em mercados, como o “Ver-o-Peso”, em Belém, no estado do Pará: os dentes são usados em bijuterias e os olhos viram pequenos amuletos mórbidos vendidos ilegalmente.

 

Durante muitos anos os seres humanos carregaram consigo a ilusão de serem a única espécie inteligente do planeta. Os achados da ciência têm demonstrado que animais marinhos, como golfinhos e baleias podem ter uma inteligência diferente da nossa, mas ainda assim brilhante. A descoberta mais recente foi a de que os golfinhos chamam uns aos outros por nomes próprios. Cientistas da “Universidade St. Andrews”, na Escócia, gravaram os chamados dos golfinhos e alteraram o timbre por computador. Depois colocaram o chamado na água. Dos 14 animais pesquisados, 9 responderam. Isso significa que eles reconhecem não só o timbre da mensagem, mas também seu conteúdo, no caso, seu nome.

Uma pesquisa anterior, de 2001, realizada na “Universidade de Columbia”, nos EUA, revelou que os golfinhos também são capazes de reconhecer seu reflexo no espelho.

 

Essa imagem dos golfinhos como seres inteligentes remonta à Antiguidade Clássica. No livro “Ecologia e Biomidiologia”, Flávio Calazans conta que Ulisses, o herói grego que idealizou o Cavalo de Tróia tinha como brasão um golfinho, o que demonstra que para os helênicos esses animais representavam a inteligência e a esperteza. Foi também entre os gregos que surgiu o primeiro relato de um homem salvo pelos golfinhos. Airion estava em um navio, indo de Corinto para a Sicília quando marinheiros roubaram seu ouro e o jogaram no mar. Um golfinho levou-o nas costas até a praia, salvando sua vida. Existem diversos relatos a respeito de golfinhos que enfrentaram tubarões para salvar humanos e na Amazônia fala-se que durante os naufrágios os botos aparecem para ajudar a salvar as vítimas.

O neurologista norte americano John Lilly realizou diversas pesquisas com golfinhos e ensinou um casal a falar 30 palavras em inglês, combinando verbos, pronomes e substantivos. Em uma das experiências, Lilly falou para o macho: “Joe, fundo piscina, disco plástico, trazer caixa boiando”. Joe desceu e escolheu um entre os 2 discos plásticos e o colocou na caixa que boiava. Lilly descobriu que esses animais também têm ética e um sentimento de grupo avançados. Quando um golfinho é ferido, todo o grupo, retarda a velocidade e alimenta o ferido, até que ele fique curado”.

(Referência auxiliar para o texto: http://www.anda.jor.br/12/09/2013/golfinhos-e-suas-capacidades-incriveis)

 

 

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