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SOLIDÃO E DEPRESSÃO

em animais de estimação

Você sabia que o seu animal de estimação também sente solidão

e que por isso ele pode entrar em depressão?

 

 

O dia a dia frenético que levamos, com inúmeras cobranças e compromissos, bem como o longo tempo que passamos no trânsito, somados ao fato de morarmos em espaços cada vez mais reduzidos, traz como consequência uma vida cheia de estresse e falta de vitalidade. É comum ao chegamos em casa, nos impulsionarmos automaticamente para a frente de uma TV, ou mesmo desmaiarmos de cansaço na cama para dormir até o dia seguinte...

 

E o que será então daqueles animais que adotamos que aguardam por nossa dedicação e presença?

Ficar sem companhia por muito tempo pode ser desagradável para qualquer um...

 

Cães e gatos que enfrentam longos períodos diários de solidão podem desenvolver comportamentos compulsivos, como o de lamber-se compulsivamente (muitas vezes provocando feridas), arranhar ou roer móveis, portas ou destruir roupas e calçados, os quais podem ser indícios de um quadro de ansiedade de separação já instalado.

 

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Assim como nós os humanos, os animais também sofrem com a solidão. Cães, normalmente são animais sociáveis (mesmo porque originalmente viviam em matilha na natureza) e eles podem ser mais suscetíveis à tristeza e ao estresse por estarem sozinhos. Mesmo os gatos que são animais mais reservados e consumam ficar dormindo sozinhos por longos períodos do dia, sentem muito incômodo pela falta da presença de seus tutores.

 

O zootecnista Alexandre Rossi, autor do livro Adestramento Inteligente, explica que os primeiros dias do cão ou do gato que acaba de chegar à casa nova são decisivos para determinar o nível de ansiedade do animal no futuro. Isolar na lavanderia o cãozinho que acaba de ser separado da mãe e dos irmãos pode ser desastroso – ele vai passar o resto da vida associando a solidão ao desespero dos primeiros dias.

 

 

O ideal é deixá-lo sozinho gradativamente: apenas depois que ele se acostumar com a família nova e por poucos minutos. No caso dos felinos, o processo é inverso, pois o gato recém-chegado se estressa ainda mais se for solto em um ambiente muito amplo. O ideal é deixá-lo em um cômodo menor no início e aguardar que ele comece a comer e utilizar a caixinha de areia antes de liberar o acesso ao resto da casa.

 

Os hábitos e as alterações de humor dos tutores também afetam os animais. Por isso é preciso prestar atenção ao nosso comportamento perante a eles, para auxiliá-los a lidar com naturalidade nos momentos que passam sozinhos em casa. Ao sair, procure não demonstrar nenhum tipo de pesar e culpa ao deixá-los sozinhos, lindando com este momento com carinho e, se puder ofereça algum tipo de agrado (biscoitos, por exemplo) para uma associação positiva. Especialistas em comportamento animal também orientam para que ao momento de chegada do tutor em casa, que este procure ignorar a euforia do animal e aguardar que ele se acalme para se aproximar, pois se houver o hábito de brincadeiras e carícias logo na chegada, isso pode gerar mais ansiedade no período de ausência.

 

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Uma sugestão para os tutores que

não tem como evitar os períodos prolongados de solidão do animal

de estimação é de se possível providenciar uma companhia,

que pode ser até de outra espécie,

desde que a convivência entre eles

seja pacífica.

 

Como lidar com os desequilíbrios emocionais e quadros já instalados no sistema

do animal, como ansiedade e depressão?

 

 

Para o pesquisador e professor do Departamento de Neurociência Integrativa do Colégio Veterinário de Medicina da Universidade de Whashington, Jaak Pankseepp, tratamentos deveriam focar na busca pelo “entusiasmo de viver”, e para isso deveriam ser utilizados métodos como estimulação profunda do cérebro, e atividades que estimulem o equilíbrio dos opioides fisiológicos no organismo, que são neurotransmissores importantes na regulação normal da sensação da dor, assim como as endorfinas e as encefalinas.

 

O pesquisador diz que o cérebro dos animais reconhece apenas emoções boas ou ruins, que são como circuitos cerebrais de recompensa e punição. Ele cataloga sete emoções primitivas básicas, que são a busca, a raiva, o medo, a luxúria, o cuidado, o pânico e a brincadeira. A raiva, o medo e o pânico estão ligados à punição, enquanto a luxúria, o cuidado e a brincadeira estão relacionados às recompensas.  A busca está ligada ao sentimento de entusiasmo. A raiva associada à ira. O medo à ansiedade. A luxúria à alegria.

 

Para o cientista, devemos parar de criar remédios para tratar sentimentos como ansiedade e solidão como doenças, para se tentar reestabelecer a alegria e prazer, e darmos mais atenção em como lidar com as emoções primitivas mencionadas anteriormente, pois a dor psicológica ocorre quando há muito desequilíbrio no sistema emocional.

 

Por isso é muito importante nos conscientizarmos de que o melhor tratamento para a depressão e solidão é colocar mais brincadeiras e prazer no dia a dia de nosso animal de estimação. Busque melhorar o seu nível de presença e atenção junto ao seu amigo de patas, afinal é sua responsabilidade desde que o adotou para dentro de sua vida. Talvez, alguns dos sintomas dele sejam um alerta para que observe seus próprios sentimentos, e de como anda a sua própria vida.

 

Caso esteja difícil identificar e lidar com as questões emocionais de seu animal, ou mesmo com as suas... Procure a ajuda de um profissional. Afinal, estamos aqui nesta Terra por um breve espaço de tempo, para gozarmos de todo potencial que a vida nos oferece e sermos felizes!

 

 

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