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Você conhece essa grave doença: 

 a Leishmaniose?

Trata-se de uma doença parasitária, causada por um parasita microscópico, a Leishmania. A sua transmissão é causada pela picada de um inseto hematófago (alimenta-se de sangue), muito parecido com um mosquito, mas de menor tamanho e que não emite zumbido quando voa  - chamado Feblótomo e apelidado de “Birigui” ou “Mosquito Palha” infectado. Tal como os mosquitos, estes insetos tornam-se ativos quando o clima aquece, manifestando-se sobretudo, em refúgios de animais, habitações, caixotes de lixo, matas e zonas com águas estagnadas. A Leishmaniose é considerada uma zoonose (Doença transmitida do animal para o Ser Humano) é encontrada em várias partes do mundo como: América do sul, China, Norte África, Oriente Médio e no Sul da Europa. 

 

 

A doença não se manifesta em gatos, ela acomete cães, lobos, roedores silvestres e o homem. Porém entre os animais domésticos, os cães são os mais infectados por ela,  sendo denominada de Leishmaniose Visceral Canina  pelos profissionais de saúde . A moléstia não é transmitida pelo contato direto, mas sim, pelo mosquito infectado quando pica um animal sadio.

 

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Sintomas

 

Os sinais clínicos são variáveis e comuns a muitas outras doenças, uma vez que também são variáveis os órgãos afetados pela leishmania. Existem três  formas de manifestação da doença, destintas  pelos sintomas: a Leishmaniose cutânea, a mucocutânea e a visceral. No caso da Leishmaniose cutânea, o principal órgão afetado é a pele e é nesta versão que a doença atinge a sua máxima expressão, uma vez que as alterações superficiais são evidentes e mais facilmente identificáveis. Feridas de difícil cicatrização, perda de pelo, sobretudo em volta dos olhos e borda das orelhas, crescimento exagerado das unhas e aumento da espessura da pele em determinadas zonas, tornando-se seca e escamosa, são as principais, mas podem ocorrer muitas outras, apesar de menos comuns.  A Leishmaniose Mucocutânea manifesta-se nas mucosas e na pele.

 

Leishmaniose visceral é menos aparente, mas normalmente mais grave, uma vez que causa insuficiência renal crónica (bebem muito líquido e urinam exageradamente), emagrecimento, atrofia muscular, aumento ganglionar e artrite. O prognóstico é mais grave na versão visceral e maior a taxa de mortalidade. A doença é potencialmente fatal para os cães, mas, se bem controlada, estes podem tornar-se apenas portadores, de forma assintomática. O ideal é prevenir para não ter que tratar.

 

Atualmente a doença não é mais uma sentença de morte, porém o controle da doença implica custos, por vezes elevados, entre tratamento com medicamentos, exames laboratoriais e acompanhamento clínico dos sintomas. 

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Como evitar que o cão contraia a Leishmaniose

 

A melhor forma de evitar uma Leishmaniose tanto em animais como em humanos é a prevenção e o controle do mosquito Feblótomo. O uso de inseticidas tem sido bastante eficaz em muitos casos. Os mosquitos em sua maioria, assim como o Feblótomo, tem o habito noturno. Os médicos veterinários aconselham que os proprietários de cães façam seus animais dormir em locais telados, sendo também outra forma de prevenção as coleiras com repelentes. Um ponto primordial para evitar uma futura Leishmaniose Visceral Canina é a vacinação do animal, que previne cerca de 90% a chance de o cão ser acometido pela doença.

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Diagnóstico

 

O diagnóstico mais utilizado para a identificação da presença doença é o exame laboratorial parasitológico. Nesse exame, a urina do animal e o sangue irão passar por testes rigorosos, onde somente um médico veterinário é capaz de fazer o laudo.

 

 

Tratamento

 

Até 2016,  havia um triste final para os animais infectados com leishmaniose visceral canina no Brasil. Uma lei de 1953 proibia o tratamento dos animais, com o objetivo de tentar impedir que o protozoário ligado à condição, a leishmania, se tornasse resistente à droga utilizada para combatê-lo em seres humanos.

Com a aprovação de uma revisão legislativa, no entanto, o procedimento começou a mudar. “A liberação de medicamentos de uso exclusivamente veterinário registrados pelo Ministério da Agricultura abriu caminho a uma série de estudos realizados com o objetivo de preservar a vida dos cães infectados.

 

Após anos de pesquisa, uma companhia farmacêutica lançou o primeiro medicamento aprovado para leishmaniose visceral canina no país. Trata-se de uma solução oral à base de miltefosina, substância capaz de praticamente eliminar as leishmanias presentes no organismo do animal.  impossibilitando inclusive que o flebótomo, mais conhecido como “mosquito-palha”, continue repassando a leishmania para outros hospedeiros a partir do cão em tratamento.

 

O tratamento é feito por 28 dias seguidos, com três meses de intervalo. O ciclo é reiniciado se o veterinário considerar necessário, geralmente quando o cão apresenta algum sintoma de recaída, como feridas na pele e inflamação nas pálpebras. A droga não é recomendada para fêmeas grávidas e reprodutores.

 

O mais indicado, caso o seu cão esteja com suspeita de Leishmaniose é leva-lo o mais rápido possível a um médico veterinário para um diagnóstico através de exames. 

 

Existe atualmente no mercado brasileiro uma vacina contra a Leishmaniose Visceral Canina, que confere proteção superior a 92% e já protegeu mais de 70.000 cães em todo o país.

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Além da prevenção pela vacina é importante associarem-se outras medidas importantes de controle contra a Leishmaniose, como manter-se os locais de convivência limpos, sem a presença de detritos que possam atrair o inseto transmissor (flebótomo), assim como a aplicação de inseticida no ambiente e utilização de produtos repelentes nos cães.
 
As consultas veterinárias periódicas podem evitar a manifestação da doença, em zonas endémicas. Um diagnóstico precoce é importante, pois quanto mais cedo iniciamos o tratamento de um animal infectado, caem as chances de transmissão da leishmania ao inseto e consequentemente a outros cães,  reforçarçando o processo também com a utilização de repelentes no animal contaminado.