Você sabe o que é PIOMETRA?

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Trata-se de um sério distúrbio uterino que ocorre em cães e gatos, que se agravado pode inclusive levar ao óbito

 

A piometra é uma patologia do útero (infecção bacteriana do útero) de cadelas e gatas, sendo mais rara em gatas,

que é mediada pela progesterona, um hormônio reprodutivo que auxilia na manutenção da gestação. Mesmo as cadelas que não ficaram prenhes no período do cio, mantém por até 2 meses, altas concentrações de progesterona no sangue, acarretando um espessamento da parede uterina, onde ali “deveria” abrigar uma gestação. Com o passar dos cios sem gestação, esses espessamentos da parede predispõem a formação de cistos, o que leva a hiperplasia endometrial cística.

 

A progesterona diminui as defesas naturais do útero, para permitir que o esperma entre no aparelho reprodutor da fêmea sem ser danificado ou destruído pelos glóbulos brancos (células de defesa), com essa queda da imunidade local o útero fica mais exposto a infecções de bactérias que habitam normalmente a vagina, as quais “sobem” de forma ascendente através do cérvix para o útero causando uma infecção. Dentro destas bactérias, a E. coli é a bactéria que mais vezes causa piometra.

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Existem fatores predisponentes?

 

Animais que tenham sofrido administração de medicamentos abortivos baseados em estrogênios que são as injeções abortivas ou que receberam anticoncepcionais baseados em progesterona (em formato de pílulas), são muito mais predispostos a piometra devido à alta concentração hormonal em um período em que a fêmea já está com elevada concentração sanguínea de progesterona. JAMAIS administre estes medicamentos aos seus animais e propague esta informação.

 

 

 

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Quais as manifestações e sintomas?

 

A piometra pode se apresentar de duas maneiras nos animais, sendo elas a piometra aberta e a piometra fechada. A piometra aberta, também chamada de piometra de cérvix aberta, ocorre quando a cérvix que é o canal que liga a vagina ao corpo do útero se mantém “relaxada”, e neste caso o principal sinal clínico é o corrimento vaginal bem mau cheiroso. Todo o pus que está sendo gerado pelas bactérias que colonizaram o útero estão se acumulando e deixando este útero repleto e com um considerável aumento de tamanho, tendo risco de se romper e agravar ainda mais o quadro. Esse conteúdo purulento também é drenado pelo canal vaginal, e o animal apresenta esse corrimento vaginal de pus ou fluido uterino fétido. 

 

Quanto a piometra fechada, em que não existe descarga vaginal porque a cérvix está “fechada”, todo material purulento produzido pela infecção está retido no útero. Neste caso as chances de ruptura são muito grandes, pois chega um ponto em que as paredes do útero não suportam mais o volume que está carregando. Geralmente a piometra fechada é mais grave porque o animal pode adoecer severamente antes que os tutores notem que existe um problema.

 

Os sinais clínicos que podem ocorrer nas duas condições são: aumento da ingestão de água e maior volume de urina; febre, aumento de volume abdominal, sensibilidade/dor abdominal, depressão, falta de apetite, perda de peso, vómitos e diarreia.

 

 

Como é feito o diagnóstico?

 

A anamnese, que é a conversa que o médico veterinário tem com os tutores recolhendo o maior número possível de informações quanto aos antecedentes desse animal é de extrema importância - além do exame clínico geral avaliando todos os parâmetros físicos.  Com as análises do sangue podem-se revelar a presença de infecção e também o comprometimento de outros órgãos, como o rim, por exemplo, que pode ser lesado com a progressão da doença. A radiografia e ultrassonografia abdominal geralmente confirmam o diagnóstico.

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Depois de diagnosticado, como tratar?

 

O tratamento requer a internação e a administração intravenosa de fluidoterapia, medicações suporte e antibióticos para estabilizar o animal, até que seja possível a resolução cirúrgica através de uma esterilização de urgência (castração = ovariohisterectomia).

Existem outros métodos existentes para combater a doença, como a administração de prostaglandinas F2 alfa e antibióticos. Embora estas não possam ser usadas na maioria dos casos em que só o médico veterinário poderá avaliar e orientar. Além disso devido ao alto risco de vida em que a doença coloca o animal, a cirurgia é o melhor método para o tratamento.

 

Como prevenir?

 

Como acabamos de ver, o melhor tratamento é a castração, porém quando a mesma é feita em caráter de urgência, com o agravamento dessa doença, podem ocorrer complicações, conforme a idade avançada do animal.

Para garantir que seus amigos de patas não passem por isso, devemos realizar a castração de forma preventiva. Em fêmeas onde não desejamos a reprodução, devemos castrá-las antes do primeiro cio, onde ainda não houve exposição hormonal, pois ainda não há um órgão reprodutor maduro. Desta forma, além de prevenir a piometra, temos o benefício de reduzir em mais de 90% a chance delas desenvolverem tumor de mama quando forem mais velhinhas, se castradas antes do primeiro cio.

Caso deseje que a sua fêmea reproduza, isso deve ser feito com a orientação do seu médico veterinário de confiança, e assim, após o período reprodutivo saudável, realizar a castração.

 

Nós da Veterinária Integral, estaremos à disposição em atendê-los para uma avaliação em nosso Centro de Bem-estar Animal.

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